68 mil doses em um sábado só no Rio — e a campanha de vacinação ainda não acabou
O Dia D da Campanha Nacional de Multivacinação, em 22 de agosto, aplicou 68.391 doses de vacina só na cidade do Rio de Janeiro. A mobilização segue até 1º de setembro, oferecendo 20 imunizantes para atualizar a caderneta de crianças e adolescentes
Se você tem filho, sobrinho ou afilhado com menos de 15 anos e não tem certeza se a caderneta de vacinação está em dia, ainda dá tempo — a Campanha Nacional de Multivacinação 2026 segue até 1º de setembro. E, pelo tamanho da resposta que o Dia D teve em 22 de agosto, o Brasil parece estar levando isso a sério.
Só na cidade do Rio de Janeiro, a prefeitura aplicou 68.391 doses de vacina naquele único sábado. Multiplique esse número pelas capitais e municípios de médio porte do país inteiro fazendo mobilização parecida no mesmo dia, e você começa a ter uma ideia do tamanho do esforço logístico por trás de um "Dia D" de vacinação — que, convenhamos, é um nome dramático até demais para uma fila de posto de saúde, mas que cumpre bem seu papel de criar senso de urgência.
Vinte vacinas, um problema estrutural
A campanha oferece 20 imunizantes do Calendário Nacional de Vacinação — da tríplice viral, que protege contra sarampo, caxumba e rubéola, até a vacina contra o HPV, que previne cânceres associados ao vírus. O objetivo declarado do Ministério da Saúde é atualizar a caderneta de crianças e adolescentes menores de 15 anos e recuperar coberturas vacinais que, para ser honesto, vêm em queda há anos no Brasil.
Esse é o ponto que a comemoração dos números do Dia D não pode esconder: campanha de mutirão existe porque a rotina de vacinação, sozinha, não está dando conta. Se as famílias levassem as crianças ao posto de saúde no calendário certo, ano após ano, o país não precisaria de operações especiais com nome de filme de guerra para recuperar cobertura vacinal básica.
• 68.391 doses aplicadas em um único sábado (22/08) só na cidade do Rio de Janeiro
• Campanha oferece 20 vacinas do Calendário Nacional
• Público-alvo: crianças e adolescentes menores de 15 anos com caderneta desatualizada
• Campanha segue até 1º de setembro de 2026
(Fonte: Ministério da Saúde / Prefeitura do Rio de Janeiro)
Por que cobertura vacinal caiu e ninguém fala disso o suficiente
A queda na cobertura vacinal infantil no Brasil não é fenômeno de um ano só — é tendência que se arrasta desde meados da década passada, agravada pela pandemia de covid-19, que interrompeu rotinas de posto de saúde, e turbinada por um movimento antivacina que, infelizmente, ganhou tração real em parte da população, alimentado por desinformação que circula mais rápido do que qualquer campanha institucional consegue desmentir.
O resultado prático é que doenças que o Brasil já havia praticamente eliminado — como sarampo — voltaram a circular em surtos localizados nos últimos anos. Vacina não protege só quem toma. Protege também quem, por alguma razão médica legítima, não pode ser vacinado e depende da imunidade coletiva do resto da população para não ser exposto.
Poliomielite ganhou reforço extra em 2026
Uma mudança técnica relevante entrou em vigor neste ano: desde 3 de agosto, o esquema vacinal contra a poliomielite passou a incluir um segundo reforço da vacina inativada (VIP) aos 4 anos de idade — uma dose extra que não existia antes no calendário e que reforça a proteção numa fase em que a imunidade da dose anterior já começa a diminuir.
É o tipo de ajuste técnico que passa despercebido pela maioria das famílias, mas que faz diferença real na robustez da proteção coletiva contra uma doença que o Brasil não registra há décadas — e que ninguém quer ver voltar.
Ainda dá tempo, e o posto mais perto de você provavelmente está com estoque
A vantagem prática de uma campanha de multivacinação, em comparação com a rotina normal do posto de saúde, é que ela concentra estoque, equipe extra e, geralmente, horário estendido — inclusive aos sábados, como mostrou o próprio Dia D. Não é preciso esperar o próximo surto de sarampo ou coqueluche para descobrir que a caderneta está atrasada.
Com a campanha seguindo até 1º de setembro, a orientação é simples: separe a caderneta de vacinação da criança, confira o que está faltando comparando com o calendário nacional, e vá até a Unidade Básica de Saúde mais próxima. Os 68 mil braços vacinados no Rio de Janeiro num único sábado mostram que, quando o sistema se organiza e a informação chega, a fila aparece. O problema nunca foi falta de gente disposta a vacinar o filho. Foi falta de gente sabendo que precisava.
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