ARTIGO

Anticoncepcionais: Comparativo Completo de Métodos em 2026

Em 2026, há mais de 15 métodos contraceptivos disponíveis no Brasil. A eficácia varia de 71% (tabelinha) a 99,95% (implante). O preço, de gratuito (no SUS) a R$ 2.500 (DIU de cobre). Este guia compara objetivamente os métodos mais usados.

Eficácia: o número que importa

A eficácia é medida pelo "Índice de Pearl" — quantas mulheres engravidam em 100 mulheres usando o método por 1 ano. Quanto menor o número, mais eficaz.

MétodoEficácia em uso típicoEficácia em uso perfeito
Implante subdérmico99,95% (0,05/100)99,95%
DIU hormonal (Mirena, Kyleena)99,8% (0,2/100)99,8%
Vasectomia99,85% (0,15/100)99,9%
Laqueadura99,5% (0,5/100)99,5%
DIU de cobre99,2% (0,8/100)99,4%
Injetável trimestral94% (6/100)99,8%
Pílula combinada91% (9/100)99,7%
Anel vaginal91% (9/100)99,7%
Adesivo91% (9/100)99,7%
Camisinha masculina87% (13/100)98%
Diafragma83% (17/100)94%
Tabelinha / método rítmico76% (24/100)95%
Coito interrompido78% (22/100)96%

Fonte: CDC e estudos populacionais. "Uso típico" considera falhas de uso (esquecimento de pílula, ruptura de camisinha, etc.).

Preços dos métodos

MétodoPreço inicialCusto mensal (médio)SUS
Implante (Implanon)R$ 1.500-3.500 (com colocação)R$ 30-70/mês (3 anos)Gratuito (com indicação ampliada desde 2024)
DIU hormonal (Mirena)R$ 2.500-4.500 (com colocação)R$ 35-65/mês (5-7 anos)Gratuito (Mirena ou similar genérico)
DIU de cobreR$ 800-2.500 (com colocação)R$ 10-25/mês (10 anos)Gratuito
Injetável trimestralR$ 25-60/3 meses (~R$ 10-20/mês)Gratuito
Pílula combinadaR$ 15-100/mêsGratuita (alguns tipos)
Pílula de progestágenoR$ 20-80/mêsGratuita (Cerazette)
Adesivo (Evra)R$ 80-150/mêsNão disponível
Anel vaginal (NuvaRing)R$ 80-150/mêsNão disponível
Camisinha masculinaR$ 20-80/mêsGratuita em postos
Laqueadura tubáriaR$ 5.000-15.000 (cirurgia)ÚnicoGratuita após Lei 9.263 (qualquer idade reprodutiva)
VasectomiaR$ 1.500-5.000ÚnicoGratuita

Métodos hormonais combinados

Contêm estrogênio + progestágeno. Inibem ovulação.

Pílula combinada

Mais usado. Tomar diariamente. Em uso típico (com esquecimentos), eficácia cai para 91%. Vantagens: regula ciclo, reduz cólicas, reduz acne. Contraindicações: tabagismo após 35, hipertensão, histórico de trombose, enxaqueca com aura, câncer hormônio-dependente.

Anel vaginal

Inserido por 21 dias, retirado por 7. Mesmas vantagens da pílula sem precisar lembrar diariamente. Custo mais alto.

Adesivo

Aplicado na pele, trocado semanalmente. Eficácia menor em mulheres acima de 90 kg.

Métodos só de progestágeno

Sem estrogênio — podem ser usados em quem tem contraindicação ao combinado (fumantes, lactantes, hipertensas, histórico de trombose).

  • Pílula de progestágeno: diária, sem pausa. Tolerada melhor por algumas mulheres.
  • Injetável trimestral (Depo-Provera): aplicação a cada 3 meses. Comum no SUS. Efeito: pode causar ganho de peso e perda de densidade óssea com uso prolongado.
  • Implante subdérmico: bastão fino na parte interna do braço. Duração 3 anos. Eficácia altíssima — não depende de uso diário.
  • DIU hormonal (Mirena, Kyleena): liberação local de progestágeno. Duração 5-7 anos. Frequentemente reduz ou elimina menstruação.

Métodos não-hormonais

  • DIU de cobre: ação espermicida do cobre. Duração 10 anos. Pode aumentar fluxo menstrual e cólicas (especialmente nos primeiros meses).
  • Camisinha (masculina e feminina): único método que previne ISTs.
  • Diafragma: usado com espermicida. Pouco comum no Brasil.
  • Métodos comportamentais (tabelinha, temperatura, muco): dependem de consciência corporal. Eficácia baixa em uso típico.

Métodos definitivos

  • Laqueadura tubária: ligamento ou corte das trompas. Em 2022, a Lei 14.443 permitiu a partir dos 21 anos (antes era 25). Pelo SUS, sem necessidade de autorização do cônjuge.
  • Vasectomia: ligamento dos canais deferentes. Procedimento ambulatorial de 20-30 min. Reversível em parte (50-70% conseguem nova gestação). Pelo SUS, gratuito.

Como escolher

Quem esquece pílula

Implante, DIU hormonal, injetável trimestral — métodos LARC (long-acting reversible contraception). Eficácia independe de uso diário.

Quem quer engravidar em breve (1-2 anos)

Pílula, camisinha, DIU. Métodos com fácil retorno à fertilidade. Implante e injetável demoram alguns meses para retorno completo.

Mulheres com endometriose ou cólica intensa

DIU hormonal, pílula contínua sem pausa. Reduzem ou suprimem menstruação.

Tabagistas acima de 35 anos

Métodos sem estrogênio: DIU (cobre ou hormonal), implante, injetável, pílula de progestágeno, camisinha. Estrogênio + tabaco = risco alto de trombose.

Lactantes

Pílula de progestágeno, implante, DIU. Estrogênio pode reduzir lactação.

Perguntas Frequentes

Pílula engorda?

Os ISRS modernos têm mínimo impacto no peso. Estudos randomizados mostram diferença média de 0,5-1 kg em 1 ano. O que muitas mulheres percebem como "ganho de peso" é retenção hídrica temporária (2-3 kg, melhora em 3 meses). Injetável trimestral é o método mais associado a ganho de peso real (3-5 kg em alguns casos).

Posso colocar DIU sem nunca ter tido filho?

Sim. A diretriz antiga de "DIU só para multíparas" foi superada. Hoje, DIU é recomendado para nulíparas inclusive jovens — eficácia altíssima e fertilidade preservada. A colocação pode ser mais desconfortável em quem nunca teve filho, mas o método é seguro.

DIU hormonal tem efeito colateral?

Pode causar irregularidade menstrual nos primeiros 3-6 meses (sangramentos prolongados, escapes). Depois, 30-50% das mulheres ficam sem menstruar — não é problema, é efeito do progestágeno local. Cólicas mensais costumam reduzir significativamente.

Pilula do dia seguinte vicia?

Não. Não causa dependência. Pode ser usada quando necessário. Limitação: eficácia diminui rapidamente com o tempo (95% em 24h, 85% em 48h, 60% em 72h). Não substitui método contraceptivo regular.

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