ARTIGO

TFD: Tratamento Fora do Domicílio — Transporte e Ajuda de Custo no SUS

Quando o tratamento de que você precisa não existe na sua cidade, o SUS é obrigado a levar você até onde ele existe — de graça. Esse direito tem nome: TFD, Tratamento Fora do Domicílio. Ele cobre transporte, e em muitos casos também alimentação, hospedagem e até a passagem de um acompanhante.

Mesmo sendo um direito antigo (regulamentado desde 1999), muita gente não sabe que ele existe e gasta o que não tem com passagens. Este guia explica quem tem direito e o passo a passo para solicitar.

O que o TFD cobre

BenefícioO que inclui
TransportePassagem de ônibus, van sanitária do município, e em casos específicos avião, para ida e volta ao local do tratamento
Ajuda de custoDiárias para alimentação e hospedagem quando o tratamento é fora do município (e fora do estado, em alguns casos)
AcompanhanteTransporte e diárias para um acompanhante quando o paciente é criança, idoso, ou tem indicação médica de que não pode viajar sozinho

O TFD é exclusivamente para procedimentos dentro do SUS — consultas com especialista, exames, cirurgias, quimioterapia, radioterapia — que não estão disponíveis na cidade onde a pessoa mora.

Quem tem direito

Você tem direito ao TFD quando todas estas condições se aplicam:

  • O procedimento é coberto pelo SUS
  • Ele não está disponível no seu município de residência
  • Há encaminhamento médico justificando a necessidade
  • O deslocamento foi autorizado pela secretaria de saúde antes da viagem (salvo urgências)

O TFD não cobre tratamento em rede particular, nem procedimentos que existem na sua cidade (mesmo que com fila), nem despesas que você já pagou sem autorização prévia.

Passo a passo para solicitar

  1. Consiga o encaminhamento do médico do SUS (UBS, ambulatório ou hospital) indicando o procedimento e que ele não existe no município.
  2. Procure o setor de TFD da Secretaria Municipal de Saúde (em cidades pequenas, é na própria prefeitura ou na UBS).
  3. Preencha o laudo/formulário de TFD com os dados do paciente, do procedimento e do destino. O médico assina a justificativa clínica.
  4. Aguarde a autorização. Uma comissão avalia e libera transporte e ajuda de custo. Em casos urgentes (oncologia, por exemplo), a tramitação é acelerada.
  5. Retire a passagem e a ajuda de custo antes da viagem, conforme orientação do setor. Guarde todos os comprovantes.

Documentos necessários

  • Documento de identidade e CPF do paciente (e do acompanhante, quando houver)
  • Cartão SUS
  • Comprovante de residência
  • Encaminhamento médico e laudo de TFD preenchido
  • Comprovante de agendamento no serviço de destino (quando já houver)

Dicas para não perder o direito

  • Solicite antes de viajar. O TFD raramente reembolsa despesas feitas sem autorização prévia. A exceção são as urgências, em que o atendimento vem primeiro.
  • Guarde todos os comprovantes de viagem e de atendimento — eles podem ser exigidos para liberar diárias ou viagens futuras.
  • Se negarem indevidamente, procure a Ouvidoria do SUS ou a Defensoria Pública. O TFD é um direito garantido por norma federal.

Perguntas Frequentes

O TFD paga passagem de avião?

Pode pagar, mas é exceção. A regra é o transporte terrestre (ônibus ou van sanitária). O avião é autorizado quando a distância é muito grande, o estado clínico não permite viagem longa por terra, ou o tempo é crítico (como em transplantes). A decisão é da comissão de TFD com base no laudo médico.

Posso levar acompanhante no TFD?

Sim, com transporte e diárias pagos, quando o paciente é menor de idade, idoso, pessoa com deficiência ou quando o médico indica que ele não tem condições de viajar sozinho. Para adultos autônomos sem essa indicação, geralmente só o paciente é custeado.

O TFD serve para tratamento particular?

Não. O TFD é exclusivo da rede SUS. Ele leva você a um serviço público (ou conveniado ao SUS) em outra cidade. Tratamentos pagos por conta própria ou em clínicas particulares não são cobertos.

Quanto tempo demora para liberar o TFD?

Varia por município. Casos de rotina podem levar semanas, enquanto situações urgentes — oncologia, cardiologia grave — costumam ser priorizadas e liberadas em poucos dias. Procurar o setor de TFD assim que receber o encaminhamento evita atrasos.

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