O INSS abriu 17,8 mil perícias num fim de semana — e a fila que já foi de 1,2 milhão hoje é "só" 391 mil
Mutirão de perícia médica ofereceu vagas em 47 cidades de 18 estados, a maioria por telemedicina. Por trás do número há uma história de fila represada que encolheu 68% desde novembro — e uma dúvida sobre até onde a perícia por vídeo consegue ir.
Poucas expressões carregam tanto peso na vida de quem depende do sistema quanto "fila do INSS". É o intervalo entre ficar sem poder trabalhar e receber o benefício que deveria cobrir exatamente esse período — um limbo em que a conta chega, mas o dinheiro não. Neste fim de semana, o INSS tentou encurtar esse limbo para um pedaço da fila: realizou um mutirão de perícia médica com 17,8 mil vagas, distribuídas em 47 localidades de 18 estados mais o Distrito Federal, no sábado (11) e domingo (12).
O detalhe que muda a natureza da coisa: a maior parte dos atendimentos foi feita por telemedicina. A perícia que sempre exigiu deslocamento, sala de espera e o perito olhando você de perto passou, em boa parte, para a tela.
O número por trás do número
Um mutirão de 17,8 mil vagas soa modesto até você olhar a foto maior. A fila nacional de perícias hoje é de 391 mil pedidos. Parece muito — e é. Mas em novembro essa mesma fila tinha 1,2 milhão de pessoas esperando. A queda foi de 68% em poucos meses, e o tempo médio de espera entre agendar e ser atendido caiu para 20 dias em julho de 2026.
Vinte dias ainda é tempo demais para quem está sem renda, mas é outro planeta comparado ao que era. A represa está baixando — a pergunta é se ela baixa porque escoou de verdade ou porque a telemedicina acelerou o crachá sem necessariamente acelerar a justiça de cada laudo.
• 17,8 mil vagas de perícia no fim de semana
• 47 localidades em 18 estados + DF
• Fila atual: 391 mil pedidos (era 1,2 milhão em novembro)
• Queda de 68% na fila • espera média de 20 dias
Convocação por SMS no número cadastrado. Consulte pelo app Meu INSS, no site meu.inss.gov.br ou pelo telefone 135.
Como saber se você foi convocado
A convocação foi feita por SMS, enviado ao número de telefone que a pessoa cadastrou quando deu entrada no benefício pela internet. Aqui mora uma armadilha silenciosa: se você trocou de número desde o pedido e não atualizou, a mensagem foi para o vazio. Vale conferir ativamente, sem esperar o toque do celular.
A checagem se faz em três lugares: o aplicativo Meu INSS, o site meu.inss.gov.br ou o telefone 135, gratuito. No app, a informação fica na seção "Benefício por Incapacidade". Quem tem perícia agendada e não recebeu SMS deveria checar mesmo assim — o cadastro desatualizado é um problema mais comum do que parece.
O que a perícia por vídeo consegue (e o que não consegue)
A telemedicina foi aplicada principalmente às avaliações iniciais de benefício por incapacidade temporária e às perícias do BPC — o Benefício de Prestação Continuada para pessoas com deficiência, incluindo suas revisões. A lógica é boa: em regiões sem perito disponível ou com fila longa, o atendimento remoto quebra o gargalo geográfico. Um perito em São Paulo pode avaliar alguém no interior de um estado sem médico do INSS.
O ponto cego é conhecido. Nem toda incapacidade se enxerga por webcam. Uma limitação de movimento, um exame físico, um detalhe de marcha — há coisas que a tela achata. A telemedicina é uma ferramenta excelente para desafogar a fila; não é ainda a resposta para todo tipo de laudo. O desafio é usar o vídeo onde ele funciona sem transformar o presencial numa exceção rara para quem realmente precisa dele.
O recado prático
Se você espera perícia, mantenha seu telefone atualizado no INSS e cheque o app pelo menos uma vez por semana — a convocação pode chegar sem aviso e a vaga perdida volta para o fim da fila. E se a sua avaliação foi marcada como telemedicina mas seu caso exige exame físico de verdade, é seu direito registrar isso. Fila menor é uma boa notícia. Fila menor com laudo justo é a notícia que importa.
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