ARTIGO

Quando Ligar para o SAMU (192): Emergência, Urgência e o Que Informar

O SAMU (192) é gratuito, funciona 24 horas e chega em média em 15 a 20 minutos nas capitais. Mas mais da metade das ligações que recebe não são emergência — e cada chamada indevida ocupa uma linha e uma ambulância que faltam para quem está infartando.

Este guia mostra exatamente quando ligar, quando não ligar, o que falar para acelerar o despacho e o que fazer nos minutos até a ambulância chegar.

Ligue 192 imediatamente nestas situações

  • Dor no peito com suor frio, falta de ar, enjoo ou dor irradiando para braço, mandíbula ou costas — suspeita de infarto
  • Sinais de AVC: rosto torto, fraqueza em um lado do corpo, fala arrastada, confusão súbita, perda de visão de um olho
  • Perda de consciência ou desmaio sem recuperação rápida
  • Dificuldade respiratória grave — não consegue completar uma frase, lábios azulados, chiado intenso
  • Convulsão na primeira vez, com duração acima de 5 minutos, ou repetida sem recuperar consciência
  • Hemorragia que não para com compressão firme
  • Acidente com vítima presa, inconsciente ou com deformidade grave
  • Intoxicação, overdose ou ingestão de produto químico
  • Queimadura extensa, elétrica ou de vias aéreas (fumaça inalada)
  • Afogamento, choque elétrico ou engasgo com obstrução
  • Parto em curso com bebê nascendo
  • Tentativa de suicídio ou risco iminente à própria vida

Quando NÃO ligar 192

Nestes casos, procure UPA, pronto-socorro por meios próprios ou a UBS:

  • Febre sem outros sinais de gravidade
  • Dor de garganta, gripe, resfriado
  • Torção, corte pequeno, dor lombar
  • Renovação de receita ou pedido de exame
  • Consulta que você não conseguiu agendar
  • Transporte para consulta ou exame marcado (isso é transporte sanitário, solicitado na UBS)
  • Dor crônica que já dura semanas sem mudança

Na dúvida sobre a gravidade, ligue mesmo assim: quem atende é um médico regulador, e a orientação por telefone já é uma forma de atendimento. É melhor ligar e ser orientado a ir por conta própria do que não ligar num infarto.

O que informar na ligação

  1. Endereço completo com ponto de referência. É a informação mais importante — é ela que determina se a ambulância chega. Diga rua, número, complemento, bairro, e algo visível ("em frente à padaria azul").
  2. O que aconteceu, em uma frase objetiva.
  3. Estado da vítima: está consciente? Está respirando? Está sangrando?
  4. Idade aproximada e quantas vítimas.
  5. Doenças conhecidas e medicamentos em uso, se souber.
  6. Seu nome e telefone — a regulação pode ligar de volta.

Não desligue antes de o atendente autorizar. Ele vai fazer perguntas enquanto a ambulância já está sendo despachada, e pode orientar manobras que salvam a vida no intervalo.

O que fazer enquanto a ambulância não chega

  • Mantenha a pessoa deitada e aquecida, sem oferecer água, comida ou remédio.
  • Se estiver inconsciente mas respirando: vire de lado (posição lateral de segurança) para evitar aspiração de vômito.
  • Se não respira e não responde: inicie compressões torácicas no centro do peito, fortes e rápidas, sem parar. O atendente do 192 guia você pelo telefone.
  • Em convulsão: afaste objetos, proteja a cabeça, vire de lado e cronometre. Nunca coloque nada na boca nem tente segurar a pessoa.
  • Em sangramento: comprima firme com pano limpo e mantenha a compressão sem soltar para verificar.
  • Não mova a vítima de acidente com suspeita de lesão na coluna, exceto se houver risco imediato (fogo, afogamento).
  • Deixe alguém esperando na rua para orientar a ambulância e mantenha o caminho até a vítima livre.

SAMU, Bombeiros ou Polícia?

ServiçoNúmeroQuando acionar
SAMU192Emergências clínicas: infarto, AVC, convulsão, dificuldade respiratória, parto
Corpo de Bombeiros193Incêndio, vítima presa em ferragens, resgate em altura, afogamento, desabamento
Polícia Militar190Violência, agressão, situação de risco à segurança
CVV188Sofrimento emocional e prevenção ao suicídio, 24h

Em acidente de trânsito com vítimas, ligar para qualquer um dos três resolve: as centrais se comunicam e acionam os demais.

Como funciona a regulação médica

Quem atende o 192 não é uma telefonista: é uma equipe com médico regulador, que decide o recurso adequado para cada caso. As opções são:

  • Orientação por telefone, quando não há necessidade de ambulância
  • USB (Unidade de Suporte Básico) — ambulância com técnico e condutor socorrista
  • USA (Unidade de Suporte Avançado) — UTI móvel com médico e enfermeiro, para casos graves
  • Motolância — chega primeiro em áreas de trânsito intenso e inicia o atendimento
  • Aeromédico, em situações e regiões específicas

É essa triagem que explica por que às vezes vem uma ambulância simples e às vezes uma UTI móvel — e por que uma chamada pode ser resolvida apenas com orientação.

Perguntas Frequentes

O SAMU cobra alguma coisa?

Não. O atendimento, o transporte e os procedimentos são 100% gratuitos, financiados pelo SUS, para qualquer pessoa — inclusive quem tem plano de saúde ou é estrangeiro.

Posso escolher o hospital para onde serei levado?

Não. O destino é definido pela regulação médica conforme a gravidade e a disponibilidade de vaga e de recursos. Levar o paciente ao hospital certo (e não ao mais próximo) é frequentemente o que determina o desfecho — em AVC e infarto, por exemplo, é preciso uma unidade com serviço específico.

Tenho plano de saúde. Devo chamar a ambulância do convênio?

Em emergência com risco de vida, ligue 192: a rede pública de urgência tem cobertura, regulação e tempo de resposta próprios. Ambulâncias de convênio podem ser adequadas em remoções programadas e casos menos graves, mas não substituem o SAMU numa emergência real.

Trote no 192 dá problema?

Dá. Trote é crime, as ligações são gravadas e rastreadas, e o custo real é uma ambulância deslocada para o lugar errado enquanto alguém precisa dela.

A ambulância demorou muito. O que fazer?

Ligue novamente informando o número do chamado, relate qualquer piora (isso pode reclassificar a prioridade) e, se houver como transportar com segurança, pergunte à regulação se é melhor ir por conta própria. Depois, registre a ocorrência na Ouvidoria do SUS pelo 136.

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