ARTIGO

Quando Levar a Criança ao Pronto-Socorro: Sinais de Alerta por Idade

Pais oscilam entre dois erros opostos: correr ao pronto-socorro a cada espirro ou esperar demais quando algo sério está acontecendo. O que separa um do outro não é a febre — é o estado geral da criança e um conjunto de sinais específicos que mudam conforme a idade.

Este guia lista o que exige ida imediata, o que pode ser observado em casa, como avaliar respiração e hidratação, e o que levar quando precisar ir.

A regra que vale mais que o termômetro

Pediatras avaliam antes de tudo o estado geral: uma criança com 39°C que brinca, responde e aceita líquido preocupa menos que uma com 38°C prostrada, gemente e que não interage.

Pergunte-se: ela olha para você e responde? Aceita líquidos? Continua brincando em algum momento entre os picos de febre? Melhora quando a febre cede com antitérmico? Se a resposta for não a qualquer uma delas, procure atendimento, independentemente do número no termômetro.

Recém-nascido (0 a 28 dias): vá ao pronto-socorro

  • Qualquer febre (37,8°C ou mais) é emergência nessa idade, sem exceção e sem esperar. O sistema imune é imaturo e infecções graves evoluem em horas.
  • Temperatura muito baixa (abaixo de 36°C) também é sinal de alerta
  • Recusa alimentar por mais de 6 horas ou mama muito pouco
  • Gemência contínua ou choro inconsolável
  • Sonolência excessiva, difícil de acordar, ou hipotonia ("molinho")
  • Pele azulada ou muito pálida, amarelão intenso
  • Respiração rápida, com pausas ou com esforço
  • Vômitos em jato ou esverdeados
  • Umbigo com vermelhidão, secreção ou cheiro forte
  • Menos de 4 a 6 fraldas molhadas por dia

Não medique recém-nascido por conta própria — nem antitérmico. A febre é a informação diagnóstica mais importante nessa idade.

Bebê de 1 a 12 meses

Procure atendimento com:

  • Febre acima de 38°C em menores de 3 meses (ainda é emergência)
  • Febre acima de 39°C, ou febre que não cede com antitérmico
  • Febre por mais de 3 dias
  • Dificuldade respiratória: costelas marcando a cada respiração, batimento das asas do nariz, gemido ao expirar, respiração muito rápida, pausas
  • Sinais de desidratação: boca seca, chora sem lágrimas, moleira funda, olhos encovados, fralda seca por mais de 6 horas, pele que demora a voltar ao lugar quando pinçada
  • Vômitos persistentes ou diarreia intensa
  • Manchas roxas ou vermelhas que não desaparecem quando pressionadas com um copo transparente — sinal de alarme para meningococo
  • Convulsão
  • Choro inconsolável por mais de 2 horas

Criança de 1 a 10 anos

  • Febre acima de 39°C persistente por mais de 3 dias, ou que retorna após melhorar
  • Dor de cabeça intensa com vômito, rigidez de nuca ou aversão à luz
  • Dor abdominal que piora, se concentra no lado direito inferior ou impede caminhar — pode ser apendicite
  • Dificuldade para respirar, engolir ou falar
  • Trauma com deformidade, inchaço importante ou perda de consciência
  • Convulsão, sobretudo o primeiro episódio
  • Ingestão de medicamento, produto de limpeza, pilha ou objeto pontiagudo — vá imediatamente, mesmo sem sintomas
  • Queimadura extensa, no rosto ou nas mãos
  • Manchas que não somem à pressão
  • Prostração importante ou confusão

Como avaliar respiração e hidratação em casa

Respiração

Levante a roupa e observe o peito por um minuto inteiro, com a criança calma. Sinais de esforço: afundamento entre as costelas ou abaixo delas, batimento das asas do nariz, cabeça balançando ao respirar em bebês, gemido, e incapacidade de falar frases completas em crianças maiores. Lábios ou pontas dos dedos azulados exigem pronto-socorro imediato.

Hidratação

O melhor indicador é o xixi: fralda molhada a cada 4 a 6 horas em bebês, e urina clara algumas vezes ao dia em crianças maiores. Some a isso lágrimas ao chorar, boca úmida e olhos normais. Ofereça líquido em pequenos volumes e com frequência — colher ou seringa a cada poucos minutos funciona melhor que copo cheio quando há vômito.

O que pode ser observado em casa

  • Febre em criança acima de 3 meses com bom estado geral, que cede com antitérmico e volta a brincar
  • Coriza, tosse e espirros sem falta de ar
  • Diarreia sem sinais de desidratação, com boa aceitação de líquidos
  • Vômito isolado, sem prostração, com hidratação mantida
  • Machucados superficiais

Nesses casos, hidratação, antitérmico conforme orientação pediátrica, repouso e reavaliação em 24 a 48 horas na UBS resolvem a maior parte. Piorou ou surgiu qualquer sinal de alerta? Procure atendimento.

O que levar

  • Documento da criança (certidão ou RG) e Cartão SUS
  • Caderneta de vacinação — muda a conduta em vários quadros febris
  • Lista de medicamentos em uso, com doses e horários
  • Anotação da temperatura medida e dos horários dos remédios já dados
  • Exames e relatórios anteriores, se houver doença conhecida
  • Fralda, roupa de troca, mamadeira ou copo, água
  • Um brinquedo ou algo que distraia — a espera costuma ser longa

Perguntas Frequentes

Toda febre em criança é emergência?

Não. É emergência em recém-nascidos (até 28 dias) e em bebês abaixo de 3 meses. Em crianças maiores, o que importa é o estado geral, não o valor da temperatura: febre alta com criança ativa preocupa menos que febre baixa com criança prostrada.

Convulsão febril é grave?

A convulsão febril simples é assustadora, porém benigna e comum entre 6 meses e 5 anos. Durante a crise: vire a criança de lado, afaste objetos, proteja a cabeça, não coloque nada na boca e cronometre. O primeiro episódio sempre exige avaliação médica, e crise com mais de 5 minutos exige ligar 192.

Posso dar antitérmico antes de ir?

Em crianças acima de 3 meses, sim — a febre não precisa ser mantida para o diagnóstico, e a criança fica mais confortável. Anote o horário e a dose para informar à equipe. Em recém-nascidos, não medique por conta própria.

UPA ou pronto-socorro infantil?

A UPA resolve a maioria dos quadros febris e respiratórios e costuma ter espera menor. Prefira o pronto-socorro de hospital em traumas importantes, convulsão, dificuldade respiratória grave, suspeita de apendicite e em recém-nascidos. Compare em pronto-socorro ou UPA.

Meu filho engoliu algo. Devo fazer ele vomitar?

Não. Provocar vômito pode agravar muito, especialmente com produtos corrosivos e derivados de petróleo. Vá imediatamente ao pronto-socorro levando a embalagem do produto. Pilha botão engolida é emergência absoluta — cada hora conta.

Procurando Pronto Socorro?

Encontre profissionais de Pronto Socorro perto de você com avaliações, telefone e endereço.

Buscar Pronto Socorro