"Ozempic Natural" não existe — e a Anvisa acabou de provar isso na marra
A agência proibiu três produtos de emagrecimento vendidos sem registro, entre eles um que pegava carona no nome do medicamento mais famoso do momento. No mesmo pacote, um alerta sobre lote falsificado de testosterona e a suspensão de uma associação cannábica sem endereço conhecido.
Existe uma receita simples para vender qualquer coisa hoje em dia: pegue um nome que todo mundo já ouviu falar, cole no rótulo de um produto qualquer e deixe a fama alheia fazer o trabalho de convencer. Foi mais ou menos isso que a Anvisa flagrou — e proibiu — nesta semana: um produto batizado de "Ozempic Natural", vendido sem registro nenhum na agência, surfando na onda do medicamento que virou sinônimo de emagrecimento.
A Resolução 3.055/2026, publicada no Diário Oficial da União em 6 de agosto, determinou a apreensão de três produtos: Ozempic Natural, Slim Turbo Premium e Slim CPS Dourado Gold. A proibição é ampla — abrange comercialização, distribuição, fabricação, importação, propaganda e uso. Nenhuma das empresas por trás desses produtos tinha cadastro na Anvisa.
Por que o nome importa mais do que parece
Chamar um suplemento de "Ozempic Natural" não é coincidência de marketing — é estratégia. O nome empresta a credibilidade científica (e a fila de espera) de um medicamento de verdade, com bula, estudo clínico e registro sanitário, para vender algo que não passou por nada disso. Quem compra pensando estar levando uma versão "mais natural" do mesmo efeito está, na prática, levando uma incógnita: sem registro, não há garantia de dose, pureza, segurança ou de que o produto faça qualquer coisa além de esvaziar a carteira.
É o mesmo problema, em versões diferentes, dos outros dois produtos banidos: "Slim Turbo Premium" e "Slim CPS Dourado Gold" prometiam emagrecimento com nomes que soam a suplemento de prateleira de farmácia, mas vinham de fabricantes sem cadastro algum na agência reguladora.
• Ozempic Natural — produto sem registro, nome associado ao medicamento famoso
• Slim Turbo Premium — emagrecedor sem cadastro na Anvisa
• Slim CPS Dourado Gold — emagrecedor sem cadastro na Anvisa
• Proibição cobre venda, distribuição, fabricação, importação, propaganda e uso
• Alerta paralelo sobre lote falsificado do medicamento Nebido (testosterona), código KT0S5T4
• Restrição a produtos da Associação Canábica Nordeste (Acanne), sem autorização válida e em local desconhecido
O falsificado que não é emagrecedor, mas é igualmente perigoso
No mesmo comunicado, a Anvisa alertou para outro problema, de natureza diferente mas do mesmo tamanho: um lote falsificado do Nebido, medicamento à base de testosterona usado em terapia de reposição hormonal. O lote identificado como falso tem o código KT0S5T4. O fabricante original afirmou não reconhecer o padrão de impressão dos dados variáveis da embalagem — ou seja, a falsificação chegou a ponto de imitar até os detalhes técnicos da caixa.
Hormônio falsificado não é like exagerado de rótulo. Dose errada de testosterona pode alterar exames, mascarar ou piorar quadros clínicos, e colocar em risco quem depende do tratamento para funções básicas do corpo — sem que o paciente tenha qualquer forma de saber que está tomando algo diferente do que a receita manda.
Cannabis medicinal também entrou na mira
Completando o pacote de medidas, a Anvisa restringiu todos os produtos da Associação Canábica Nordeste (Acanne) por falta de autorização de funcionamento válida — a entidade opera em local desconhecido e não respondeu aos contatos da reportagem. É um lembrete de que a expansão do acesso à cannabis medicinal no Brasil, real e importante para milhares de pacientes, também abriu espaço para operações que driblam a fiscalização.
Como não cair nessa
A regra prática de sempre continua valendo: antes de comprar qualquer produto que promete emagrecer, tratar ou substituir hormônio, vale trinta segundos no site da Anvisa para checar se ele tem registro. Se o nome do produto for parecido demais com o de um medicamento famoso, desconfie ainda mais — geralmente é exatamente o oposto de coincidência. Comprar saúde de quem não tem CNPJ regularizado na agência que fiscaliza saúde é, na prática, apostar o próprio corpo numa loteria sem regras.
Leia também
12/07/2026
Seu Mounjaro pode ser falso: Anvisa manda apreender quatro lotes — anote os números antes da próxima aplicação
27/06/2026
A Anvisa proibiu o app que vendia caneta emagrecedora com 'consulta' online — e o motivo importa
16/06/2026
A Anvisa liberou parte dos produtos Ypê — mas o detergente debaixo da sua pia pode ainda estar na lista
09/06/2026